Cidades: Organismos Vivos

por Luiz Fernando do Valle

As cidades têm sido comparadas, por alguns estudiosos, a organismos vivos, onde há uma interdependência entre todas as suas partes. Elas são entendidas como algo maior, sendo sua complexidade percebida no mesmo grau de um ser vivo, podendo ser acometidas de doenças e males causados por anomalias internas ou externas, ou ambas.

A importância das cidades na qualidade de vida necessária para nós tem aumentado muito nas últimas décadas. A civilização moderna é eminentemente urbana. Portanto, a cada dia os problemas gerados dentro desses organismos têm sido mais críticos para nossa subsistência como sociedade livre e feliz.

Na história da humanidade as cidades sempre cumpriram importante papel de desenvolvimento. Foram elas as primeiras comunidades e o local onde aprendemos a viver juntos com os nossos semelhantes, tendo para isso que desenvolver toda uma estrutura social que a viabilizasse.

As primeiras cidades importantes eram cercadas por muralhas, para sua autodefesa. A idéia de que juntas poderiam defender-se melhor e resolver seus problemas levaram as pessoas a viver nessas áreas, que cresceram rapidamente na medida em que novas atividades se somaram às existentes, trazendo mais conforto para seus moradores.

As cidades cresceram e seus problemas também, as primeiras ruas com suas casas deram lugar às vilas, depois pequenas cidades, em seguida se transformaram em cidades de maior porte, para, em alguns casos, chegar a megacidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, entre outras na atualidade.

O crescimento de cada cidade tem suas particularidades, como suas formas, suas barreiras geográficas, fatores geológicos, seus vizinhos, seus limites e dimensões, todas influenciadas geralmente por condições locais.

Porém, o homem nunca tentou de fato entender esse novo organismo de uma forma mais ampla e no contexto completo com o meio ambiente. Relegou para segundo plano as conseqüências criando um problema que não sabe como resolver.

Os centros das grandes cidades se transformaram em lugar de prostituição, consumo de drogas e mendicâncias, transformando essas áreas em locais de violência e degradação. Já na periferia, a favelização ocupou todos os espaços criando bolsões de miséria e injustiça social. Entre essas duas áreas cresceram as classes média e alta, desassociadas dos problemas que afligem seus vizinhos, e vivendo uma especulação imobiliária sem precedente em um mundo à parte e com regras próprias.

Desigualdade social gera violência, sofrimento e desequilíbrio nas condições oferecidas para cada classe social.

Os governos prometem resolver esses problemas, mas não fazem o necessário para haver essas transformações, tratam do efeito e não da causa desse mal.

A urbanização de forma correta é o fator central para a solução da maioria dos problemas que causam o desequilíbrio ambiental, com suas conseqüências climáticas na vida das pessoas.

Sendo ela o processo de transformação das características rurais de uma região para características urbanas, está fortemente associada ao desenvolvimento social e a ações para dotar essas áreas com infra-estrutura e equipamentos urbanos adequados para que haja qualidade de vida para seus moradores.

A sua importância é tanta que tem sido estudada por outras ciências, como a sociologia e a antropologia, ambas focadas no homem como causa e efeito do crescimento das cidades e seu impacto nos outros ecossistemas.

Minha proposta para mudar o mundo é que entendamos o conceito da sustentabilidade nas áreas urbanas, buscando analisar as cidades como organismos vivos, tendo nas experiências já vividas a base dessas mudanças.

O aspecto social, com todas as suas complexidades, diferenças, particularidades e, principalmente, predominância sobre os outros dois aspectos, econômico e ecológico, merecerá sempre prioridade máxima, pois se não resolvermos nossos problemas sociais não resolveremos qualquer outro.

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