A Irracionalidade do Mercado Financeiro
por Luiz Fernando do ValleNo início desta semana fomos surpreendidos pela crise do mercado financeiro americano e suas conseqüências em todo o mundo. Já há alguns meses esse problema surgiu como uma ameaça à estabilidade do mercado mundial, porém, ninguém sabia quando e o que poderia acontecer no mundo real caso se confirmasse a quebra de algumas dessas instituições financeiras.
A partir desta semana já sabemos, e ficamos todos muito preocupados com seus reflexos em nossas vidas. Foi possível constatar que estamos todos “amarrados” a uma condição de espectadores do desenrolar dessa crise, e que teremos que pagar uma grande parte dessa conta.
Cabe uma reflexão sobre a importância do mercado financeiro - que hoje é totalmente virtual - que não necessita do papel-moeda e sim de impulsos eletrônicos transmitidos pela internet. Vidas são destruídas ou fortunas ganhas num apertar de tecla dos computadores dos operadores nos principais centros financeiros do mundo.
Negócios sólidos no mundo real, com experiência de décadas, são dizimados e viram pó em segundos por vontade e interesse de algumas poucas pessoas que dominam a economia mundial. Nossas vidas viraram detalhes menos importantes diante da ganância desses especuladores ávidos por ganhos fáceis e volumosos.
Em um mundo sustentável, esse tipo de comportamento não deveria ocorrer. Os interesses de muitos não poderiam ser subjugados pelos interesses de poucos. Porém, neste mundo em que vivemos o mercado financeiro com suas regras próprias intervém e altera nosso cotidiano de forma abrupta e inesperada, pondo em risco nossos planos de vida arduamente trabalhados.
Não são só os pequenos investidores, que aplicam nas bolsas de valores dos principais centros financeiros, que perdem muito neste momento. Todos nós fomos prejudicados com o aumento do dólar, que é afetado pela montanha russa imposta pelo nervosismo desses especuladores.
O preço da comida, do aluguel, da escola, do transporte, do vestuário, da energia elétrica e do telefone, entre tantos outros, sobe sem que haja qualquer influência interna do País, simplesmente porque esses senhores, jogadores desse “cassino financeiro”, estão nervosos com suas apostas mal-feitas.
Nessa situação os aspectos econômicos se sobrepõem fortemente aos interesses sociais, pondo em risco nossa estabilidade como sociedade livre e justa. Quando isso acontece perdemos nossa capacidade de produzir um mundo sustentável e nos reduzimos a um grande rebanho conduzido pelos interesses desses especuladores.
Para a crise se aplacar, uma parcela do dinheiro bom (fruto dos impostos pagos por nós cidadãos) será usado para debelar suas conseqüências e permitir que possamos continuar nossas vidas. Os governos de vários países injetaram quantidades enormes de dinheiro para acalmar os mercados e não permitir uma quebradeira geral do sistema financeiro.
Novamente a massa, 99,99% das pessoas, irá deixar de ver obras de saneamento, iluminação pública, melhorias viárias, construções de escolas, casas populares, hospitais, creches, parques públicos, e adiará a expectativa de ter melhores condições de vida, tudo para poder pagar a aposta arriscada dessa pequena minoria.
A boa notícia dessa crise é que as empresas sustentáveis estão se saindo muito melhor que as outras, provando que a visão de responsabilidade sócio-ambiental dá mais estabilidade e condições para superar crises de liquidez e confiança como a de agora.
Essas empresas estão mais bem preparadas para enfrentar desequilíbrios no mercado financeiro, pois sua estratégia se apóia na sua saúde financeira sem esquecer seu papel social e de preservação do meio ambiente.
A crise passará como tantas outras, muitos não aprenderão nada, mas uma parte da sociedade tirará uma lição muito importante desse episódio: ganância tem resultados efêmeros e inconsistentes e de final conhecido. Vamos torcer para que na próxima crise a nossa parte do prejuízo seja menor e o mundo mais sustentável.
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