Por que Acredito que Posso Mudar o Mundo

por Luiz Fernando do Valle

Com quatro anos de idade tive uma convulsão que mudou minha vida. Minha mãe, quando chegava a nossa casa, encontrou uma ambulância à porta e, para a sua surpresa, era para mim. Ali começava uma jornada difícil e complicada em minha vida que a mudaria radicalmente para sempre.

Os anos seguintes foram de muito sofrimento para minha cabeça de criança. Não entendia todas as mudanças que estavam ocorrendo e por que eu tinha tanta dificuldade para aprender, o que limitava meu aprendizado e fazia com que me sentisse estranho dentro do mundo.

Por erro médico minha doença foi diagnosticada incorretamente. Fui tratado com remédios fortíssimos que me drogavam, fazendo-me agir de uma forma que confirmava minha excepcionalidade em relação aos outros. Passei minha infância e parte da adolescência em um mundo estranho e distante das outras pessoas.

Tinha dores de cabeça terríveis. Qualquer aborrecimento podia representar horas ou dias de muita dor. Às vezes ficava trancado em meu quarto para evitar a luz, tamanha a dor que sentia. Pobre de minha mãe que sofria ao meu lado e cercava-me de cuidados na tentativa de fazer-me sentir como as outras crianças.

Em uma noite, já bem tarde, fui ao banheiro e, quando passava em frente à porta do quarto de meus pais, escutei meu pai falar meu nome para minha mãe. Ele dizia que ambos deveriam estar preparados para aceitar como uma grande vitória se eu conseguisse completar o ginásio, primeiro grau de hoje.

Na cabeça de uma criança de oito anos aquela revelação soava como um veredicto terrível e condenava-me a um futuro menor e de pouca importância. Nunca esqueci aquela noite, nem o seu significado para mim.

Os anos passaram, curei-me da doença que não tinha, voltei a ser considerado normal e já era um adolescente. Os anos vividos no ostracismo geraram em mim uma sensação de frustração pelas perdas e falta de autoconfiança.

Aprendi que só eu poderia reverter a profecia feita, sem maldade, por meu pai. Trabalhei muito, dediquei todas as minhas forças para descobrir qual seria o meu limite. Descobri que não havia limite, que poderia ser o que pudesse acreditar e dedicando-me para sê-lo.

Colhi várias vitórias, alguns fracassos e tombos. Muitas tentativas foram difíceis, algumas pessoas que me encorajaram, muitas me desanimaram e duvidaram de minha capacidade. Porém, nunca, mas nunca mesmo, duvidei que eu conseguisse. E continuo minha jornada de mudar o mundo. Sempre acredito que vale a pena sonhar e buscar realizar os nossos sonhos.

Por que resolvi contar essa passagem de minha vida? Por acreditar que se não vencermos nossos medos, limitações impostas por nós e pelos outros, e receios de fracassar, iremos nos acomodar e seremos apenas uma pessoa a mais na paisagem sem graça da vida.

A primeira grande vitória ocorre dentro de nós. Se nem nós acreditamos em nossa capacidade, deixamo-nos levar pelo desânimo e aceitamos a pequenez de uma participação medíocre de nossa existência.

Meu pai, na sua inocência e amor por mim, despertou um lutador contumaz, aguerrido e determinado. Por isso acredito que posso mudar o mundo. Não importa o tamanho desse mundo. Será bastante grande para que eu possa curtir o fato de ter conseguido alcançar meu maior objetivo.

O fato de ultimamente estar discutindo tanto uma maneira de criar um mundo mais sustentável levou-me a parar, refletir e tomar consciência de que a maior mudança para alcançarmos esse novo patamar de civilidade e desenvolvimento deve começar dentro de nós mesmos.

Cada um tem a sua história, bonita ou difícil, não importa. Não viemos ao mundo para sobreviver, mas sim para fazer dele um lugar melhor para todos nós morarmos. Acredite e faça acontecer.

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