Racismo: O Lado Obscuro de Nossa Consciência Coletiva
por Luiz Fernando do ValleHoje vivemos um dos momentos mais difíceis da história recente da humanidade, apreendemos muito nestes últimos sete mil e quinhentos anos, desde que surgiram as primeiras demonstrações de alguma civilidade e vida em sociedade.
O homem perambula por este Planeta a muitos milhares de anos, mas foi neste último período que começamos a desenvolver nossa capacidade de nos sociabilizar e formarmos comunidades que se transformaram em cidades estados, depois viraram reinos, impérios e por fim repúblicas.
Partimos de um núcleo de poucos humanos modernos em algum lugar nas savanas e florestas da região que abrange Etiópia, ao Quênia até a Tanzânia. Há pelo menos 100 mil anos um pequeno grupo de humanos vivia nesta área, eles se alimentavam de sementes, frutas, caçavam pequenos animais, ou comiam carcaças de animais deixados por outros predadores.
Havia outro grupo de humanos chamados de arcaico que vivia em outras partes da África, Europa e Ásia nesta mesma época, porém, eles eram bem diferentes de nós. Mais de hum milhão de humanos arcaicos podem ter habitado o Velho Mundo, enquanto a população de humanos modernos chegava nesta mesma época a algumas dezenas de milhares. Os humanos arcaicos estão extintos há milhares de anos sem deixar descendentes, embora tenham habitado este Planeta por outras centenas de milhares de anos.
Cada um de nós dos mais de seis bilhões e quinhentos milhões de habitantes que vivemos hoje descendeu deste pequeno grupo que habitou o leste africano em um passado remoto. Este grupo por várias vezes esteve próximo de ser extinto, mas soube superar suas dificuldades e se expandir, e nos últimos cem mil anos se espalhou para o norte da África, entrando na Europa, Ásia e por fim nas Américas.
O homem moderno se diversificou em “raças” e “grupos étnicos” que hoje conhecemos, a sua história é de superação e grandeza. Estes grupos étnicos se miscigenaram com o passar do tempo e adquiriram características novas e particulares, que nos deram a força que temos hoje. Sejam os brancos ou negros, hispânicos ou asiáticos, africanos ou caucásios, todos descenderam da mesma raiz.
Para muitas pessoas estes rótulos são importantes e reflete sua identidade social, definem como eles se expressam na sociedade moderna. Estas pessoas continuam a pensar que os grupos humanos apresentam grandes diferenças biológicas, e que as variações de cor da pele, feições e forma do corpo refletem grandes diferenças de caráter, e inteligência.
Mesmo as pessoas do mesmo grupo, mas de classes sociais diferentes, tendem a considerar a genética como causa destas diferenças. Acreditam que a agressividade, criatividade, e até a religiosidade não pode ser apreendida, é algo que vem com os genes.
Mas a genética contradiz esta crença, os grupos humanos são geneticamente muito próximo para justificar diferenças relevantes. Os estudos recentes comprovam que as diferenças culturais entre estes grupos não tem origem biológica, estas diferenças se devem às experiências destes indivíduos dentro dos seus grupos.
Hoje podemos com a experiência de milhares de anos vividos e outros milhares de erros cometidos em nossa curta, mas rica história, refletir sobre a razão que levou o grupo dos humanos modernos sobreviver enquanto o humanos arcaicos eram extintos.
Sem dúvida, nossos antepassados souberam superar suas crises e diferenças para continuar o seu desenvolvimento como raça. Cometemos muitos erros, julgamos, condenamos e matamos pessoas de outros grupos, simplesmente porque discordávamos delas, seja por diferenças religiosas, ou da cor da pele, ou ainda etnia, não importa desenvolvemos um dos piores defeitos da nossa consciência coletiva, o preconceito que trouxe junto à arrogância e a empáfia, levando o homem a cometer as maiores atrocidades contra humanidade.
Será que nos deixamos cegar a tal ponto que não vimos para onde estávamos indo, sem dúvida para o colapso de nossa sociedade moderna. Sobrevivemos a muitos obstáculos, superamos milhares de disputas, crises e guerras, mas talvez fomos muito longe em nosso egoísmo e ganância.
Espero que possamos nos reorganizar como um grupo de humanos único que somos, e consigamos criar uma sociedade que dê o mesmo direito igual para todos, respeitando as suas diferenças sem discriminação ou rejeição. Então poderemos nos transformar em uma sociedade sustentável e que continuará sua jornada exitosa por outros milhares de anos neste Planeta.
Fonte de Pesquisa: “A História da Humanidade“, de Steve Olson, editora Campus.







