Sociedade Sustentável

por Luiz Fernando do Valle

Lendo o que tem saído na imprensa, ou conversando com outras pessoas sobre o tema da sustentabilidade, nas suas mais variadas formas e aplicações, percebi que a maioria das pessoas não conhece o seu verdadeiro significado, talvez por ser um conceito novo e que só agora começa a ganhar importância em nossas vidas.

Nestas últimas semanas em que escrevi no blog tive como principal intenção a divulgação do significado desse conceito. Acredito que para mudar o mundo temos que primeiro entender o conceito, depois avaliá-lo e discuti-lo para, em seguida, conscientizar as pessoas da necessidade da mudança. Aí sim poderemos partir para as mudanças, mesmo que enfrentemos grandes dificuldades.

Todo processo de mudança cria instabilidade, gerado pelo receio do desconhecido e das suas conseqüências. Muitas pessoas são resistentes à mudança. Por que? Muito provavelmente porque mudar dá trabalho, causa stress, nos obriga a arriscar, a nos expor perante nosso grupo e, principalmente, porque pode dar errado.

Na Física, a Lei de Newton diz: “Todo corpo permanece em seu estado de repouso, ou de movimento uniforme em linha reta, ao menos que seja obrigado a mudar seu estado por forças impressas nele”. Acredito que podemos usar essa Lei para o momento que estamos vivendo, em que mudar a inércia das pessoas exigirá um grande esforço das outras pessoas que já entenderam essa necessidade.

Tenho escrito sobre vários assuntos no blog ligados ao tema sustentabilidade. Procuro ampliar seu enfoque para mostrar que sua abrangência é muito maior que economizar energia elétrica, água ou mesmo combustível, ou reciclar lixo.

A razão do conceito da sustentabilidade ser representado por um triângulo eqüilátero (o triângulo da sustentabilidade) é mostrar a igual importância dos seus três lados: economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente correto. A idéia é tratar os três enfoques de forma igual, mostrando que há uma interdependência entre eles e que todos têm a mesma importância. O aspecto econômico, por ser posto na base, passa a impressão de ascendência sobre os outros dois.

Na minha visão essa interpretação está incorreta, tanto na igual importância dos três lados como na ascendência do econômico. E a razão é simples: o foco deveria estar principalmente no social, nas pessoas, pois são elas que, com sua consciência e inteligência, interferem positivamente, ou não, nos aspectos econômico e ecológico.

Se não soubermos resolver questões sociais como miséria extrema, desigualdade social, baixa escolaridade da maioria da população, inacessibilidade aos programas de saúde para as pessoas mais pobres e a baixa qualidade dos mesmos, descriminação por sexo, religião ou raça, violência doméstica e urbana, violência sexual, principalmente contra as crianças, corrupção no poder público, impunidade, não teremos condições de usufruir dos benefícios da geração de riqueza e não poderemos trabalhar pela preservação do meio ambiente.

Portanto, se quisermos nos transformar em uma sociedade sustentável teremos que trabalhar muito para sermos, primeiramente, uma sociedade justa que resolve suas diferenças e problemas, buscando soluções que atendam aos interesses da maioria, sempre na visão do bem comum.

Todo início de mudança é difícil, exige determinação, fé em si e nos outros e, principalmente, saber onde queremos chegar. Ficar acreditando que somos simples expectadores desse processo evolutivo é abrirmos mão de um direito e dever de procurar estar sempre melhorando como pessoa e como sociedade. Somos protagonistas e responsáveis da maior obra da criação divina.

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