O Trânsito nas Grandes Cidades

por Luiz Fernando do Valle

O tempo que passamos dentro de carros tem aumentado muito nos últimos anos e já não se conta mais por minutos, e sim por horas. O trânsito nas grandes cidades tem se tornado um pesadelo para todas as pessoas que nelas precisam se locomover.

É necessário analisar as causas disso e as conseqüências para as vidas das pessoas impactadas e para o meio ambiente.

São vários os fatores que levam as pessoas a querer ter seus carros: desde praticidade e conforto até rapidez, segurança e status, entre outros. Todos ou qualquer um deles pode ser a razão para justificar a compra. Mas há um motivo que é comum a todos: a necessidade de se deslocar.

Esta é razão básica que explica a existência dos vários tipos de transporte que o homem criou para lhe servir durante sua evolução nas várias civilizações que nos antecederam.

Os primeiros homens andavam a pé, depois sobre animais, até descobrir a roda e suas vantagens, e em seguida evoluir para o veículo com motor, a vapor primeiro e a combustão por último.

Seja na terra, no mar ou rios, ou no ar o homem precisa cada vez mais ir ou vir com grande rapidez, deslocando mais pessoas ou cargas, seus veículos crescem constantemente de tamanho e poluem cada vez mais.

Dos Fords T, os primeiros veículos produzidos em linha de produção, fabricados nos Estados Unidos, que já eram movidos utilizando o combustível fóssil, até os carros da atualidade, se passaram um pouco mais de cem anos. A evolução no design, tecnologia, conforto e segurança, permitiram que tivéssemos carros cada vez mais rápidos.

Porém, continuamos a usar o combustível fóssil, altamente poluente e tendo uma cadeia produtiva, desde a extração até o transporte, extremamente prejudicial ao meio ambiente.

Não fomos ainda capazes de criarmos comercialmente veículos que utilize combustíveis que não agridam ao meio ambiente, talvez por interesses dos lobbys ligado a indústria petroleira, continuamos a jogar toneladas de gases poluentes na atmosfera.

Na cidade de São Paulo, segundo dados da CET (Companhia de Engenharia de Trafego), todos os dias entram, no já caótico trânsito da cidade, mais de 900 veículos, sendo que nos últimos dez anos sua frota cresceu mais de 25%.

Ou seja, mais carros nas ruas, mais congestionamento, mais tempo para se deslocar, mais prejuízo para sociedade, mais poluição na atmosfera, e muito menos qualidade de vida para seus habitantes. Já não adianta rodízios para tirar veículos das ruas, o problema é muito mais estrutural, e só se resolverá com uma política séria, com metas claras e baseadas em alternativas que viabilizem que as pessoas possam trabalhar ou se divertir em condições adequadas.

Nos horários de pico, na manhã e na tarde, os paulistanos gastam até duas horas a mais que gastavam a alguns anos atrás para ir e voltar do seu trabalho. São duas horas a menos com suas famílias, gerando desconforto familiar, stress e distúrbios variados na saúde destas pessoas.

A cidade de São Paulo vai parar, e possivelmente outras também. Como cidadãos, e diretamente prejudicados por este caos, temos que buscar alternativas que possamos implantar por consciência própria, independente do poder público. Não que deixemos de cobrar a melhora do transporte público ou outras melhorias, mas devemos tomar a iniciativa da solução do problema.

Poderíamos por exemplo, instituir a carona comunitária, onde revezamos com amigos ou vizinhos o nosso transporte para o trabalho ou dos nossos filhos para a escola, ou procurar que a escola de nossos filhos e o local do nosso trabalho estejam o mais perto possível de nossa moradia, com isto evitaríamos que houvessem grandes deslocamentos.

Idéias como esta já foram proposta antes, mas com baixíssima adesão, não houve ainda a percepção da urgência da solução deste problema. Estamos todos vivendo como se não fosse conosco, até quando?

Está na hora de despertarmos o nosso senso de bem comum, e levantarmos do nosso “berço esplêndido”, que de esplêndido só mesmo no nosso hino nacional, e buscar alternativas de curto prazo para minimizar, e soluções definitivas para resolver este problema tão importante para a nossa qualidade de vida.

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