Um Produto Sustentável Custa Mais Caro?
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Essa pergunta me tem sido feita várias vezes nestes últimos meses. Todas as pessoas que me entrevistam, ou conversam comigo sobre sustentabilidade, querem saber se um empreendimento sustentável custa mais caro que o tradicional.
Na verdade essa resposta não pode ser dada de forma simples, sem uma explicação. E por quê? Simplesmente porque essa conta deve ser feita considerando outros aspectos além do seu custo de fabricação.
É óbvio que os produtos sustentáveis, por terem mais itens que os tradicionais, tendem a custar mais, porém, se analisarmos todo o processo, mais o ganho no custo pós-utilização, o resultado se inverte e passa a ser favorável aos produtos sustentáveis.
Para transformar um produto tradicional em sustentável primeiro temos que entender as características do negócio, qual o seu potencial de impacto no meio ambiente e qual a possibilidade de mudança que possa adequá-lo ao conceito da sustentabilidade. Quanto maior o número de variáveis envolvidas nessa equação, maior a sua possibilidade de transformação.
Para poder entender as vantagens de um produto sustentável e avaliar o seu custo x benefício, deve-se estudar o assunto em uma perspectiva mais ampla, levando-se em consideração também os outros dois aspectos da sustentabilidade, além do econômico, que são o social e o ambiental.
Na grande maioria das vezes, os empresários, quando fazem a análise dos seus negócios, consideram somente os aspectos econômicos e financeiros. Para eles o objetivo é aumentar o lucro ao máximo, e tudo que for considerado acessório deve ser eliminado.
Como a sustentabilidade é uma preocupação recente, e ainda não foi totalmente entendida pelo consumidor, este não está disposto a pagar mais por ela. E esse é o problema: se não há demanda, não há escala, e sem volume os custos de produção são maiores, aumentando sensivelmente o produto final.
Soma-se a essa situação um ambiente de crise como o atual, em que, por razões óbvias, corta-se tudo o que é possível para preservar o negócio. Como me disse um consultor, em época de bonança discute-se estratégia, na crise, gestão de custo. Assim, muito provavelmente, os itens de sustentabilidade também seriam cortados.
O que não está errado, numa análise pela ótica financeira, mas está totalmente equivocado pela visão de preservação do meio ambiente e do nosso futuro. Focando o momento atual pode ser uma solução viável, porém, a médio e longo prazo é suicídio coletivo.
Como mudamos isso? Conscientizando as pessoas de duas verdades: a primeira é que a sustentabilidade é, sim, essencial, necessária e de grande valor, e a segunda é que ajuda a viabilizar o negócio.
O conceito de valor trata de algo que é relativo. Só há valor se houver a percepção de alguma necessidade importante em determinado momento e situação. Por exemplo, um copo de água no deserto tem um valor muito maior que o mesmo copo de água no escritório.
No caso da sustentabilidade, a percepção de valor se dará quando, em função da sua ausência, for gerada uma sensação de falta ou perda na qualidade de vida e perspectiva de futuro das pessoas. Portanto, o reconhecimento do valor da sustentabilidade deverá crescer muito nestes próximos anos, na medida em que as pessoas entenderem sua importância.
Os negócios sem sustentabilidade não se perpetuarão, pois a vida das pessoas será fortemente prejudicada. Por outro lado o lucro de um negócio sustentável, por estar em linha com o futuro e o bem-estar das pessoas, será duradouro e do interesse de todos os participantes.
Entendemos melhor a importância da sustentabilidade nos negócios quando quebramos alguns paradigmas. Primeiramente quando a consideramos como investimento e não como custo. Depois, quando esperamos um retorno a longo prazo em vez de curto prazo. E por último quando consideramos o ganho de imagem como parte do lucro, reconhecendo o seu papel de catalisador do negócio.
Para que todas essas mudanças aconteçam será necessário repensarmos nosso entendimento de como vivemos até hoje em sociedade, e como as pessoas, empresas e governos interagem.
As verdades de ontem não valem para o mundo que está nascendo, que só terá futuro se o fizermos sustentável. Portanto, o custo da sustentabilidade não será medido por cifrões e sim pela nossa disposição de construir um futuro digno e um mundo muito melhor.
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[ 8 comentários ]
rodrigosebero disse em 16 de novembro de 2008 às 0:05
Acredito que estamos preso num sistema totalitario monetario. quanto mais precisa mais se gasta e para mais se gastar ……. nao preciso explicar. O sistema faz isso com qualquer intenção que se tenha, pois hoje para viver precisa-se de dinheiro. Agora pergunto… Quem prove este recurso?
Ricardo machado disse em 7 de novembro de 2008 às 9:11
Entendo que além da preocupação de deixar um mundo melhor para nossos filhos também devemos deixar filhos mais conscientes para preservação do planeta terra
Herica disse em 31 de outubro de 2008 às 11:37
Parabéns pelos artigos !
Se todos nós buscássemos estas soluções juntos,estariamos
salvando o nosso Planeta de tantas “dores”!!!
rita marinho marcolino disse em 20 de outubro de 2008 às 2:20
voces estao de parabens.eu penso o seguinte.os sers humanos.tem gue gue saber dar mais valor.as nossas realidades gue existem e acordarem para nossos direitos de igualdade pois a vida.nao estipula preço para se manter pois a uniao.nao faz so o açucar e sim o progresso tambem..,
Karla Nogueira disse em 14 de outubro de 2008 às 6:47
Ótimo artigo. Quando se analisa o custo de um produto sustentável, não há como fugir do tripé “impactos econômic0s sociais e ambientais”. Portanto, a análise precisa levar em conta estes três aspectos. É claro que em determinados setores, o custo financeiro inicial pode não ser tão atrativo, mas é necessário pensarmos a médio e longo prazo, porque só assim teremos uma visão real da equação custo/benefício. Por outro lado, não podemos esquecer da criatividade humana, que é capaz de criar soluções sem que isto implique em aumento de custos, podendo, inclusive, reduzi-los. De qualquer forma, não há como o homem sair incólume da destruição que ele provocou no último século. Mais cedo ou mais tarde teremos que rever nossos conceitos e “sacrifícios” serão inevitáveis. É a lei da ação e reação.
Abraços
sabrina disse em 13 de outubro de 2008 às 14:53
muito legal essa pagna
Carlos Nizan disse em 11 de outubro de 2008 às 23:01
A questão principal a ser analizada pelo ser humano antes de qualquer coisa, deve ser qual é o valor da vida,pois é a vida que depende unicamente da sustentabilidade,eu falo a vida como um todo, todas as formas de vida do micro ao macrocosmo biológico aqui na terra,pois como pode haver sustentabilidade sem os recursos naturais dos quais depende o ser para a sua própria sobrevivencia,a concientização pode despertar o ser humano a ver valores sob um novo ponto de vista ,a midia as escolas começando logo no pré ensino devem ministrar os conteudos didaticos e cientifico ,concientizando a nova geração de individuos com a nossa nova realidade que ameaça a nossa existência,a fim de dar uma nova visão ao ser de que a vida vale mais que qualquer coisa na terra,esta nova visão uma vez enraizada no ser humano unificaria um outro sentimento adormecido que é o direito de igualdade entre os irmãos pois mostraria que estamos todos no mesmo barco,talvez a fraternidade arcoda-se no coração do homen.É preciso criar um novo tipo de capitalismo,que não englobe somente valores monetários e sim o valor da vida que não se pode estipular preço ,ou esforço algum para mantela .
João Batista Ferreira disse em 10 de outubro de 2008 às 22:37
De fato o que deve ser compreendido é que a “crise” é o esgotamento do equilíbrio conseguido à partir de certas premissas de funcionamento do trio da sustentabilidade. É possível que, do mesmo modo que a crença da salvação nacional nos premiou com uma geração de equívocos, estamos assistindo e nos alimentando do sabor amargo da volúpia dos mercados financeiros. Mas são as forças vitais do Desenvolvimento Sustentável é que resolvem isso.
Anônimo disse em às